URÉIA: práticas para sua utilização na
alimentação de ruminantes
JOÃO AVELAR MAGALHÃES
Embrapa Meio-Norte: avelar@cpamn.embrapa.br
EXPEDITO AGUIAR LOPES
Embrapa Caprinos: ealopes@cnpc.embrapa.br
RAIMUNDO
BEZERRA DE ARAÚJO NETO
Embrapa
Meio-Norte: rbezerra@cpamn.embrapa.br
A uréia é um composto orgânico
nitrogenado não protéico, solúvel em água e álcool e quimicamente classificada como
amida. É uma das fontes mais utilizadas para suprir parcialmente as deficiências
protéicas das pastagens, podendo substituir até determinado limite as fontes
alimentícias protéicas à base de farelos e tortas oleaginosas, de elevado custo. Bons
resultados podem ser conseguidos quando a uréia é administrada de forma adequada, pois
estabelece o equilíbrio protéico energético dos alimentos.
A uréia foi identificada quimicamente em
1770, entretanto, apenas em 1891 é que foi descoberto que os ruminantes sintetizavam
proteína a partir da uréia. A falta de alimento para o gado, durante a primeira guerra
mundial, fez com que seu uso propagasse em
toda Europa, alcançando os Estados Unidos.
Hoje o uso da uréia vem crescendo em todo mundo..
RAZÕES PARA
O USO
· Baixo
custo por unidade de proteína;
· Facilidade no fornecimento ao gado;
· Possibilidade
de se aproveitar subprodutos, como sabugo de milho, rolão de milho, palhadas de arroz,
feijão, soja, amendoim e outras culturas, pontas e bagaço de cana e sobras de capim
passado nas pastagens.
ORIENTAÇÕES
PARA O USO
· Deve-se dar ao gado um período de
adaptação (2 a 6 semanas), durante o qual as quantidades de uréia são gradativamente
aumentadas. Esta adaptação deverá ser repetida sempre que houver interrupção no
fornecimento da uréia;
· Utilizar somente a uréia pecuária (46,5% N);
· A uréia deve fornecer até 1/3 da proteína total da ração,
completando-se o restante através de grãos de cereais e/ou concentrados protéicos;
· Evitar o fornecimento a bovinos famintos, cansados, sedentos, em
jejum e a bezerros antes do desmame (6 8 semanas de idade);
· Utilizar preferencialmente para animais em regime de engorda em
confinamento. No caso de animais em mantidos em pastagem, só quando houver boa
disponibilidade de forragem (4 6 t/MS/ha);
· Utilizar somente mistura bem homogênea, com a uréia totalmente
dissolvida, tendo-se o cuidado de constatar através do tato se existem grãos de uréia
intactos;
· A diluição de uréia em excesso de água, pode ocorrer o acúmulo
da solução no fundo do cocho, a qual, uma vez ingerida, acarretará a intoxicação dos
animais, mesmo que estes já estejam adaptados;
· Fornecer água à vontade aos animais;
· Conservar a uréia em sacos plásticos e em locais frescos e
ventilados. O período de armazenagem não deve exceder a 6 meses.
METÓDOS DE
UTILIZAÇÃO
· Melaço + Uréia na proporção de 9:1, somente para bovídeos.
Os cochos devem possuir uma grade flutuante para evitar o consumo excessivo.
· Silagem + Uréia 5 kg de uréia/ton. de silagem. Deve ser
adicionada no instante da ensilagem ou durante o fornecimento aos bovinos. Não é
aconselhável o uso de uréia na silagem de capim elefante, pois é necessário
desidratá-la até 45% de matéria seca.
· Concentrados + Uréia 3 kg uréia/100 kg da mistura de concentrados
à base de milho, sorgo, soja ou resíduos protéicos.
Período de adaptação e quantidade de uréia no concentrado por
an/dia |
Adaptação |
Uréia g/100 kg pv |
1a Semana |
10 g |
2a Semana |
20 g |
3a Semana |
30 g |
4a Semana |
40 g |
· Volumosos
+ Uréia
1 kg de uréia/100 kg de volumoso. A mistura deve ser bastante homogênea. A uréia é ministrada à razão de 100 a 200
g/animal/dia, enquanto que o consumo da mistura é em torno de 10 a 20 kg/animal/dia. No
caso de Cana + Uréia, recomenda-se utilizar nas seguintes quantidades:
Quantidades
necessárias para serem adicionadas a 100 kg de cana picada |
Período |
Nível |
Uréia
+ SA1 |
Uréia
+ Gesso2 |
Adaptação |
0,5% |
450
g +50 g |
400 g + 100 g |
Rotina |
1,0% |
900 g+ 100 g |
800 g+ 100g |
Fonte
de enxofre: 1 - Sulfato de amônia 2 - Gesso (Sulfato de cálcio)
Sal + Uréia
recomenda-se o seguinte esquema:
Componentes |
SEMANAS |
1a |
2a |
3a |
Sal comum |
6 kg |
5 kg |
4kg |
Sal mineral |
2 kg |
2 kg |
2 kg |
Farinha de ossos ou fosfato bicálcico |
1 kg |
1 kg |
1kg |
Uréia |
1 kg |
2 kg |
3 kg |
TOXIDEZ
O consumo de grandes quantidades de uréia em períodos curtos pode
ser letal, principalmente quando o animal não recebeu adaptação. Dosagens de 40 a 50
g/100 kg de peso vivo podem ser fatais para animais não acostumados ao consumo da uréia,
o que representa 0,4 a 0,5 g/kg de peso vivo.
SINTOMAS DE
INTOXICAÇÃO
Quando os níveis de uréia são fornecidos
superiores aos indicados, os sintomas de intoxicação podem aparecer até 60 minutos
após a ingestão. Os sintomas se caracterizam por apatia, convulsões, respiração
ofegante, tremores musculares, secreção salivar excessiva, ranger de dentes, dores
abdominais, mucosas congestas, batimentos cardíacos acelerados, meteorismo, tetania e
morte (30 minutos a 2 horas) após a ingestão.
TRATAMENTO
· Solução
a 5% de ácido acético ou vinagre, por via oral (até 6 litros/animal); após um período
de 3 a 6 horas repetir o tratamento se necessário, utilizando-se uma dosagem
correspondente à metade da primeira;
· Aplicar injeções endovenosas de glicose e cloreto de cálcio, na
proporção de 250 ml de cada um dos produtos;
· Utilizar antitóxicos, via oral;
· Animais já prostrados e com
tetania e convulsão dificilmente respondem ao tratamento.