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Nova braquiária da Embrapa Gado de Corte
Para comemorar a passagem de seu vigésimo quinto aniversário, a Embrapa Gado de Corte
está fazendo o pré-lançamento de novo cultivar de Brachiaria brizantha, durante
a Expogrande 2002, que se estende até 21 de abril. O novo cultivar tem a denominação
comercial de capim-xaraés e vem sendo estudado pela instituição há mais de dez anos. O
capim-xaraés, informa a Embrapa Gado de Corte, é planta muito vigorosa, que atinge
altura média de 1,5 m. Tem folhas mais largas que as do marandu e sua coloração é
verde-escura. É indicado para regiões de clima tropical úmido e para as de cerrados,
com estação seca variando entre quatro e cinco meses. É recomendado também para solos
de média fertilidade e apresenta boa resposta à adubação. Sua produtividade é boa e
apresenta distribuição de sua produção na proporção de 30% na seca e 70% nas águas,
porque floresce tardiamente, por volta de abril. Os coloniões, em comparação,
concentram 90% de sua produção anual durante as chuvas e 10% apenas durante o período
seco. A capacidade de suporte do capim-xaraés é outra vantagem, pois possibilita a
permanência de maior quantidade de animais na pastagem 60% a mais que o marandu
nas águas e chega a proporcionar ganho de peso anual por área 30% maior. No
período seco, o desempenho do capim-xaraés é similar ao do marandu e superior ao dos
coloniões. O novo cultivar apresenta teor de proteína em torno de 13% e resistência
moderada à cigarrinha. Nestes anos de experimentação, não se observou a presença
desse inseto no campo e nem de danos causados por fungos. A Embrapa prevê colher, em
outubro próximo, 9 toneladas de sementes para repassá-las aos multiplicadores. Essas
sementes deverão estar chegando ao mercado em setembro/outubro de 2003, quando os
sementeiros iniciarão sua venda para os pecuaristas. O cultivar produz de 100 a 120 kg de
sementes por hectare ao ano, com 40 a 45% de pureza. Com o lançamento a Embrapa Gado de
Corte reforça sua campanha pela diversificação de forrageiras nas pastagens
brasileiras, a fim de evitar os problemas derivados dos cultivos em larga escala de um só
tipo de material. "Não recomendamos a prática de monoculturas extensas para nenhuma
espécie de forrageira. Isso se configura em um grave risco à atividade pecuária",
adverte Cacilda Borges do Valle, pesquisadora da instituição. "O pecuarista precisa
diversificar para garantir eficiência, até porque as condições de solo nem sempre são
únicas dentro de uma mesma propriedade", completa. A designação do novo capim
segue a tradição na Embrapa Gado de Corte, iniciada em 1984, de batizar os cultivares de
braquiárias com nomes de origem tupi-guarani ou de povos e culturas indígenas locais.
Naquele ano, a Embrapa Gado de Corte lançou o marandu (que significa
"novidade"). O termo "xaraés", provavelmente de origem indígena
também, foi uma denominação difundida pelos colonizadores espanhóis, no século XVI,
para designar a área inundável do Pantanal brasileiro, definir o conjunto formado por
ecossistemas pantaneiros. O capim-xaraés foi desenvolvido em parceria da Embrapa Gado de
Corte com o Centro de Pesquisa do Cacau da Comissão Executiva do Plano da Lavoura
Cacaueira do (Cepec-Ceplac), da Bahia, o Instituto de Zootecnia (IZ), de São Paulo, e a
Embrapa Cerrados. Em seus 25 anos a Embrapa lançou o capim-marandu, o mombaça,
tanzânia, pojuca, estilosantes mineirão e, mais recentemente, o capim-massai e o
estilosantes campo grande. O mercado brasileiro de sementes de forrageiras movimenta
anualmente cerca de 240 milhões de dólares. Desse total as sementes oriundas de
cultivares lançados pela Embrapa, em todo o Brasil, somam 60%, na proporção de 48% de
sementes de braquiarão (capim-marandu) e 12% de sementes de mombaça e tanzânia.A
Embrapa tem previsão de lançar, até o ano de 2010, treze novos cultivares de
forrageiras de várias espécies. Só a unidade de Campo Grande tem planos de colocar no
mercado nesse período três novos cultivares de braquiária brizanta, um de braquiária
humidícola, um panicum e um estilosantes.18/04/2002
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O capim-xaraés se revela vantajoso em vários quesitos:
14/06/02
1) Tem capacidade de suporte 60% maior que o marandu na época de chuvas e igual na seca.
Esse dado refere-se ao primeiro ano de utilização do capim, mas a proporção deve ser
mantida nos anos seguintes.
Chega a proporcionar um ganho de peso anual por área 30% maior que o capim marandu. No
período seco, seu desempenho é similar ao do marandu e superior ao dos coloniões.
Nos ensaios estão sendo usados animais entre 220 kg e 350 kg.
O capim apresenta em torno de 13% de proteína bruta na matéria seca de folhas. Na
matéria seca total (folhas, colmos) fica entre 8% a 10%.
Tem digestibilidade em torno de 57 a 65%, conforme a idade de crescimento (28 a 42 dias de
rebrota) e época do ano (chuva ou seca).
Mostra resistência moderada à cigarrinha. Nos anos de experimentação não se percebeu
a presença do inseto nas áreas plantadas com capim-xaraés e nem danos causados por
fungos.
(Jornal de Brasília/DF) |
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