Pastagens

 

Carne Bovina a Pasto através da pecuária extensiva

mombaca.jpg (18928 bytes) Mombaça     

 

 braquiarao.jpg (16141 bytes) Braquiarão
Fotos fornecidas pela Agrocosta

Embrapa Pecuária Sudeste

São Carlos, SP

Situação Atual

A baixa competitividade da pecuária extensiva de corte, principalmente na região Sudeste, quando comparada com outras actividades agro-pecuárias, agravou-se ainda mais com a implantação do plano Real. A globalização da economia e o consequente acirramento da competição de mercado colocou a carne bovina a disputar arduamente sua fatia de mercado com outras carnes e produtos mais baratos, como o ocorrido com a carne de frango, onde o consumidor tem exigido, além de baixo preço, um produto de qualidade.

Embora ocorra lenta mas gradativa elevação da taxa de desfrute do rebanho nacional, ainda estamos distantes da produtividade obtida por outros países concorrentes. Em regra geral, a carne nacional provém de animais tardios, resultando em um produto de qualidade inferior, principalmente quanto a maciez e sabor. Ainda, a oferta em regra geral é feita sem os critérios adequados de higiene, de apresentação (embalagens, cortes) e da origem do animal, aspectos estes importantes para um público consumidor cada vez mais exigente.

A produção de carne bovina brasileira baseia-se na criação a pasto. Somente 5% dos animais abatidos atualmente por ano são confinados, dentro de um total de abate de 31 milhões de cabeças. Mesmo assim, a maioria dos confinamentos são de terminação, onde estes animais só recebem manejo e alimentação diferenciados em curto período, ficando mais de 80% do desenvolvimento desses animais restritos ao pastejo.

sucesso de uma exploração bovina de corte baseia-se na nutrição, manejo, sanidade e na genética animal utilizados em cada sistema produtivo.

Nessa oportunidade pretendemos apresentar conceitos relativos a sistemas de produção e enfatizar a importância da nutrição , baseada na alimentação via volumoso de boa qualidade e quantidade, a pasto.

Sistemas de Produção

Sistema pode ser definido como um conjunto de elementos interrelacionados no intuito de se obter o "todo" final. Quando se aplica esse conceito a um sistema produtivo na propriedade rural, há um "sistema de produção agrícola".

Professores da ESALQ, baseados nos índices de produtividade, apresentaram o seguinte conceito para sistemas de produção: "Através do estabelecimento dos índices zootécnicos e posterior análise dos mesmos, é possível caracterizá-los. Os índices zootécnicos criam padrões, que podem ser comparados com resultados publicados por outros indivíduos e assim, o técnico e o fazendeiro serão capazes de detectar problemas, apontar virtudes e fazer progressos. Além disso, quando temos os índices zootécnicos há a possibilidade de se conhecer o potencial de produtividade que poderá ser alcançado em um determinado sistema de produção".

Os sistemas de produção de carne, de acordo com o manejo do rebanho, são classificados em extensivos, semi-intensivos, intensivos e de confinamento total.

Apesar das variações decorrentes da interação dos recursos climáticos, econômicos e -sociais, os sistemas de produção eficientes apresentam algumas características semelhantes entre si.

As principais características em comum, são:

  • animais bem adaptados;
  • animais com desenvolvimento ponderal satisfatório;
  • alimentação adequada para a produção, o crescimento e a reprodução;
  • elevada eficiência reprodutiva e manejo compatível com o adequado controle de doenças infecto-contagiosas e parasitárias.

 

No conceito de produção intensiva, o objetivo é aumentar a eficiência e a economicidade da exploração bovina de corte, visando torná-la mais competitiva em relação a outras atividades econômicas, devido ao melhor uso dos recursos existentes. Esse conceito de produção via elevação de produtividade pode ser usado nos mais diferentes sistemas produtivos, desde o extensivo até o confinamento total. Assim, embora os índices produtivos sejam diferentes, a eficiência de cada sistema será sempre mais alta que os seus assemelhados. Em sistemas de produção a pasto, deve-se dar ênfase ao conceito de produção de carne por unidade de área, enquanto que no confinamento a ênfase deve ser a produção de carne individual, por animal ou por lote.

Importância da Alimentação

A alimentação é um dos principais fatores responsáveis por uma exploração pecuária eficiente e se reflete em resultados zootécnicos como: idade ao primeiro parto, intervalo entre partos, lactação, taxas de natalidade e mortalidade no rebanho. A alimentação inadequada impede a plena expressão do potencial genético para a produção. Quanto mais potencialmente produtivos, maiores serão as exigências nutricionais e, portanto, os cuidados a serem adotados na alimentação.

Deste modo, em animais de exigências moderadas a elevadas, uma alimentação deficiente reduz a eficiência reprodutiva dos animais. Em consequência, o número relativo de vacas solteiras (ou falhadas) no rebanho aumenta, ocupando área física considerável, com maiores investimentos em terras, benfeitorias, mão-de-obra e alimentação, com reflexos negativos na relação matrizes x crias.

A eficiência de produção animal a pasto será variável em função do desempenho individual e da taxa de lotação utilizada em determinada área. Assim, embora em certos casos o desenvolvimento ponderal por animal seja pequeno e a taxa de lotação seja alta, a produção de carne por área poderá ser maior que aquela encontrada em sistemas de pastejo convencionais, cujas pastagens encontram-se degradadas, com baixa capacidade de suporte. Portanto, em sistemas de produção de carne a pasto, é fundamental o bom manejo das pastagens com vistas ao aumento de carga animal por área, refletindo em maiores lucros.

Além de melhorar os índices reprodutivos do rebanho, pastagens bem manejadas sob pastejo intensivo permitem atingir elevadas taxas de lotação. CAMARGO (1994) e FARIA e CORSI (1981), especialistas em forragicultura, ressaltaram que, além das adubações, deve-se observar atentamente os períodos de ocupação e descanso dos piquetes, além da carga animal variável, a infestação de cigarrinhas, lagartas e o pastejo de ponta e repasse. Dessa forma, o pastejo intensivo no período das águas pode constituir-se em uma alternativa mais econômica para a pecuária bovina, apresentando grande potencial principalmente em terras mais valorizadas, quando comparado com os métodos convencionais de pastejo ou suplementação.

Referindo-se a adubações de pastagens, pesquisas salientam que a fertilização, apesar de aumentar pouco o valor nutritivo das pastagens, pode elevar significativamente a produção de forragens, permitindo maior lotação, resultando em maior produção de leite e carne por área. Informam ainda que a adubação nitrogenada, dependendo da espécie forrageira, fertilidade do solo, dose aplicada e sistema de manejo, pode elevar a produção forrageira em até 54 kg de matéria seca (MS) por quilograma de nitrogênio.

Rebanho

Em sistemas intensivos de produção a pasto, onde o produto final almejado é a carne, os criadores devem visar a exploração da heterose (vigor híbrido), nos produtos resultantes dos cruzamentos, trabalhando portanto, com os chamados rebanhos industriais. Estes cruzamentos procuram unir as qualidades do zebu (rusticidade e adaptação aos trópicos), com as do bovino europeu (velocidade de ganho e peso ao abate elevados). Dentro dessa ótica é que foi desenvolvida a raça Canchim, aqui em São Carlos. Os pecuaristas atualmente podem optar por uma grande variedade de excelentes cruzamentos, inclusive via Inseminação Artificial, que nos moldes do Canchim, proporcionam produtos de bom desenvolvimento ponderal e de melhor qualidade. Aliás, qualidade deve ser preocupação constante do moderno pecuarista, fruto da exigência cada vez maior do mercado consumidor.

Dentro de uma boa programação, o pecuarista deve eleger para uso no pastejo intensivo, animais que retornem mais rápidamente com o investimento realizado no sistema, tais como animais de terminação, fêmeas de descarte, etc..

Dessa forma, consegue-se terminar a custo menor e de forma mais rápida, através da oferta de capim de qualidade e quantidade, no verão. Em certos casos, visando imprimir maior velocidade de ganho de peso, é económico inclusive ofertar concentrados energéticos-protéicos neste período, para se evitar elevação de custos no inverno com suplementação volumosa.

A seguir, apresentamos alguns resultados de ganhos de peso alcançados em sistemas intensivos de pastejo na Embrapa Pecuária Sudeste.

Tabela 1. Ganho de peso vivo (PV) de bovinos Canchim e cruzados Canchim x Nelore em pastagens no CPPSE, nas águas.

Graniinea   

Categoria

Kg/PV animal/dia
Tanzânia Novilhas     

0,680

Tanzânia

Bezerros       

0,820

Tanzânia 

Garrotes          

0,820

Coast-cross

Novilhas       

0,713

Coast-cross Garrotes

0,600

Mombaça   Novilhas

0,590

Marandu Garrotes

0,680

 

Tabela 2. Lotação e ganho de peso vivo(PV) de bovinos Canchim e cruzados Canchim x Nelore em pastagens no CPPSE, nas águas

Gramínea
/ano    

n de
animais

Categoria dias Adub
kg/ha
ganho
pv/kg/ha
lotação
media
ua/ha
Tanzania 96 65 Novilhas 150 200 803 5,8
Tanzania 97 58 Garrotes 150 300 909 6,4
Coast-cross/96 121 Novilhas 144 300 900 6,6
Coast-cross/97 134 Novilhas 132 300 780 7,6
Mombaça/97 75 Novilhas 111 200 491 5,3
B.brizantha/97 62 Garrotes 126 200 437 4,0

Administração

A eficiência administrativa demonstrada na racionalização dos fatôres produtivos é de fundamental importância na maximização do lucro da atividade.

Sabe-se que as tomadas de decisão mais acertadas são oriundas de uma boa programação baseada em um planejamento. Através da previsibilidade, procura-se nortear todas as ações a serem desenvolvidas na atividade. Assim, é possível verificar se as ações estão sendo bem desempenhadas e se fazer ajustes, quando necessário, para o atingimento das metas.

A economicidade decorre dos resultados produtivos apresentados, que por sua vez refletem a eficiência zootécnica do rebanho em questão. Assim, para que a atividade seja rentável, todo o sistema precisa ser bem administrado, onde o trabalho seja feito por pessoas responsáveis e os animais apresentem boas condições sanitárias e produtivas.

Na oportunidade, relacionamos alguns lembretes de ordem prática que um bom administrador deve atentar, quando do gerenciamento de sistemas de produção de carne:

.Em função da programação, definir bem o cronograma de serviços a serem realizados no ano pecuário.

  • Priorizar investimentos e custeio nos fatores diretos de produção;
  • Antecipar-se aos fatos, planejando o estoque necessário de insumos , materiais diversos, etc.. antevendo a possibilidade de se trabalhar com caixa deficitário alguns meses do ano
  • Propor mudanças organizacionais quando necessário;
  • Não economizar em inversões essenciais, como em sementes, fertilização das áreas, entre outros;

Formular alternativas visando diminuição de despesas e aumento das eficiências produtiva e econômica;

.Transmitir de forma clara e simples as ordens de caráter técnico e administrativo. Adotar atitude cordial, saber ouvir e manter um bom espirito de equipe;

Analisar os controles contábeis, zootécnicos e produtivos, visando levantar indicadores que possibilitem comparações com outros sistemas eficientes e o custo de oportunidade, frente a outras atividades agropecuárias;

Quando possivel, implantar atividades interativas com a pecuária de corte.

Além da habilidade administrativa, trabalhos demonstram ainda a importância do efeito escala de produção na maximização do lucro: o aumento do volume de produção ou seja, de arrobas terminadas, promove a diluição dos custos fixos da atividade.

 

PASTO e Produção Intensiva

Um bom pasto irá sempre diminuir os custos de engorda, seja ele a pasto ou semiconfinado. Qual pasto adotar ? A resposta geralmente depende da região em que se encontra a fazenda e qual o tipo de terra , mas na verdade um pasto de boa qualidade será sempre mais produtivo . O rodizio tem sido cada vez mais usado e sistema como o "Voasan" quando levado a sério é exelente . Piquetes com boa qualidade de pasto e muita agua é realmente o ideal .

Uma pastagem deve ser constituída de uma espécie forrageira de boa qualidade, produtividade e adaptada àscondições locais de solo e clima. Estes aspectos, aliados a um bom estabelecimento e manejo, garantem uniformidade na população de plantas forrageiras em toda a área, cobrindo todo o solo e impedindo, assim, a existência de espaços vazios, que poderão sofrer a ação da erosão ou ser preenchidos por plantas invasoras.

FONTE : (EMBRAPA)
Data:  08 Feb 2000

Embrapa desenvolve técnica de criação de gado com rendimentos até 100% superiores . A Embrapa Pecuária Sudeste desenvolveu uma técnica de criação de gado bovino em pastagens que gera índices de rendimento na produção de carne e leite até 100% superiores aos obtidos pelo método convencional, com a vantagem de ter custos menores que o sistema de confinamento. Utilizando a pastagem como alimento básico para os animais, sem qualquer estimulante de crescimento ou insumo artificial, os técnico da Embrapa, durante oito anos, experimentaram novas formas de manejo e variedades de forrageiras.

O resultado obtido foi o de animais que conseguem atingir o peso de abate com idade entre 14 e 16 meses. Pelo sistema tradicional, os animais só atingem esse estágio com, no mínimo, 30 meses de idade. O chefe do centro da Embrapa Pecuária Sudeste, Aliomar Gabriel da Silva, explica que a alimentação do gado é o principal fator no novo sistema de produção. Para isso, outros centros de pesquisa da Embrapa melhoraram geneticamente variedades de forrageiras tropicais, que passaram a produzir de duas a quatro vezes mais quantidade de nutrientes que as forrageiras de clima temperado.

A forrageira tropical, recebendo luz solar abundante, apresenta elevadas taxas de fotossíntese resultando em mais alimento para o gado. As pesquisas da Embrapa alteraram o conceito até então aceito nas escolas de agronomia de que as forrageiras tropicais não geram alta produção. A redução do período para abate possibilita ainda uma rotação rápida do capital empatado na atividade pelo produtor. O pesquisador Sérgio Novita Esteves afirma que o sistema exige do pecuarista um investimento mais elevado na adubação da pastagem, que representa de 60% a 65% do custo total da atividade.

São necessários, segundo ele, a aplicação anual de 200 kg de nitrogênio e 200 kg de potássio por hectare. Lucro extra Levando-se em conta que o preço médio da tonelada de nitrogênio é de R$ 390, pode-se afirmar que,isoladamente, o preparo da pastagem é caro. Mas ao se analisar a relação custo/benefício, os ganhos em peso rendimento de leite compensam o investimento e geram um lucro extra para o produtor, garante Esteves. As experiências realizadas pela Embrapa mostraram que os animais machos com idade entre 20 e 22 meses, criados pelo sistema de pastagem intensiva, engordam diariamente de 900 gramas a 1 kg em período de chuvas, alimentados apenas com capim e sal mineral, sem qualquer suplementação.

Pelo método tradicional, o ganho de peso é, na melhor das hipóteses, de 600 gramas diária afirma Esteves. A vantagem, portanto, está em torno de 60%. No caso de gado leiteiro, a produção média por animal pelo sistema da Embrapa pode chegar a 27 kg de leite/hectare/ano para gado de raça pura. Para animais mestiços, fica em torno de 16kg de leite/hectare/ano. A média nacional está calculada em 4 kg de leite/hectare/ano, um índice sete vezes inferior.

Na produção de carne, o gado criado em pastagem intensiva apresenta uma produção anual entre 950 kg a 1 mil kg/peso vivo/hectare, o que representa um aumento de quase 10 vezes (1.000% em relação à média nacional, de 120kg/hectare/ano).

Produção Intensiva de Carne Bovina a Pasto

Luciano de Almeida Corrêa / Embrapa Pecuária Sudeste / São Carlos, SP

Introdução

As pastagens representam a forma mais prática e econômica de alimentação dos bovinos e como tal constituem a base de sustentação da pecuária de corte no Brasil. Todavia, a maioria das pastagens está na região dos cerrados, nas áreas de menor fertilidade e ou em áreas marginais, exploradas de maneira extrativista e, como consequência, em processo de degradação. Esta situação tem contribuído para que a pecuária de corte apresente, há décadas, índices zootécnicos muito baixos (CORSI, 1986), com lotação das pastagens em torno de 0,5 UAIha/ano e produtividade na faixa de 100 kg de peso vivo/ha/ano (1 unidade animal - UA - equivale a 1 animal de 450 kg de peso vivo). Há, portanto, necessidade de obter ganhos em produtividade que permitam tornar a pecuária de corte, principalmente nas regiões de terras mais valorizadas, mais rentável e competitiva frente a outras alternativas de uso do solo.

A produtividade animal em pastagem depende do desempenho animal (ganho de peso vivo), que está associado à qualidade da forragem, e da capacidade de suporte da pastagem (número de animais por unidade de área), que é função da produção de matéria seca da mesma (BOIN, 1986). Embora as gramíneas forrageiras tropicais não sejam de excelente qualidade, pois o ganho de peso vivo que proporcionam está na faixa de 0,6 a 0,8 kg/animal/dia, a produtividade animal pode ser elevada pelo seu grande potencial de produção de matéria seca no período das águas. A lotação pode passar de 0,5 UA nos pastos nativos e ou degradados, para 1,0 a 1,5 UA nos solos de baixa fertilidade, 2 a 2,5 UA nos solos mais férteis e mais do que 10,0 UA, sob adubação intensiva.

Para a obtenção de elevada quantidade de forragem, é necessário considerar que as gramíneas forrageiras são tão ou mais exigentes que as culturas tradicionais (SILVA, 1995). Desta forma, para a exploração intensiva das pastagens nos solos de cerrado, a correção e a adubação estão entre os fatores mais importantes a determinar o nível de produção das forrageiras. Tendo em vista a baixa fertilidade dos solos de cerrado, é necessário que se estabeleçam, inicialmente, níveis médios de fertilidade a serem alcançados, como possibilidade de viabilização técnica e econômica, dada a gradual capacidade de resposta dos solos no processo de recuperação.

A calagem é a primeira prática de correção para colocação desses solos no processo produtivo (LOPES, 1983; CORSI & NUSSIO, 1993; VITTI & LUZ, 1997), reduzindo a acidez, fornecendo Ca e Mg, aumentando a eficiência das adubações e a capacidade de troca catiônica (CTC). A seguir vêm as adubações com N, P, K, 5 e micronutrientes, principalmente Cu, Zn e B. Um aspecto importante é realizar a correção e a adubação de forma equilibrada, mantendo a proporcionalidade entre os nutrientes Ca, Mg e K, no complexo coloidal do solo, como 65-85% Ca+2, 6-12% Mg+2, 2-5% K+ e 20% H+ (SILVA, 1995).

O nitrogênio é o elemento mais ausente no solo e o mais importante em termos de quantidade necessária para maximizar a produção das pastagens e aumentar a sua capacidade de suporte. As gramíneas forrageiras tropicais têm potencial para responder a níveis elevados de adubação nitrogenada, com incrementos lineares até a dose de 400 kg de N / há / ano. Todavia, a maior eficiência em seu uso, assim como respostas em produção animal, somente ocorrerão quando os demais nutrientes estiverem em níveis adequados no solo e a pastagem for manejada adequadamente para que os animais aproveitem a forragem produzida. Indicações gerais de correção e adubação para iniciar a exploração intensiva em solos de cerrado de baixa fertilidade são: calagem, para elevar a saturação por bases acima de 60%; adubação fosfatada, para elevar o teor de fósforo (P) no solo para 10-15 ppm (resina); e adubação de produção, em torno de 1000 kg / ha de fórmula 20-5-20 e ou similar, aplicada parceladamente 4 a 5 vezes durante as águas; aplicação preventiva de micronutrientes (40 a 50 kg/ha de FTE BR-12 e ou similar, a cada 3 anos); e calagem posterior (1 a 1,5 t de calcáriolha na seca).

Com a elevada produção de forragem obtida sob adubação intensiva, o sistema de pastejo rotacionado, que se caracteriza pela mudança periódica e freqüente dos animais de um piquete para outro dentro da mesma pastagem, é o mais indicado, por garantir maior uniformidade e eficiência de pastejo e maior controle do estoque de forragem. O número de piquetes de cada pastagem será função do período de descanso (PD) e do período de ocupação (PO), que pode ser obtido pela equação: Número de piquetes = (PD ÷PO) + 1. O período de ocupação deve ser de curta duração, de 1 a 3 dias, para garantir melhor rebrota das plantas e facilitar o controle da lotação da pastagem. O período de descanso varia conforme a espécie forrageira, visando obter melhor equilíbrio entre produção e qualidade da forragem (Tabela 1).

Tabela 1. Período de descanso para algumas gramíneas forrageiras utilizadas sob pastejo rotativo.

Graminea Periodo de Descanso

Dias

capim-elefante                                     45 (35-45)
colonião e outros cultivares

35 (30-35)

Andropogon                

30 (25-30)

Brachiaria bnzantha       

35 (30-35)

Brachiaria decumbens

30 (25-30)

Coast-cross, estrela, tifton

25 (20-28)

 

O tamanho de cada piquete vai depender da área disponível, do número de animais e da produtividade da pastagem. As pastagens são consideradas de alta, média e baixa produtividade quando a área de pastagem, suficiente para atender o requerimento diário em volumoso de um bovino adulto de 450 kg de peso vivo, for de 30 m2, 40 a 60 m2 e maior do que 60 m2, respectivamente. No caso de uma pastagem explorada extensivamente, a área de pastagem necessária é em torno de 200 a 300 m2/ UA/dia.

A altura do resíduo após o pastejo deve ser controlado para evitar o superpastejo, que pode prejudicar a rebrota das plantas e o desempenho animal. Também deve ser evitado o subpastejo, que significa perda de forragem. A altura do resíduo é variável com as espécies forrageiras , de acordo com suas características morfofisiológicas.

Quanto à economicidade da adubação de pastagens, ela irá depender, entre outros fatores, do incremento de produção de matéria seca, que irá variar com a espécie, seu manejo, clima, solo, potencial e categoria animal e, principalmente, do custo do fertilizante e do valor do produto carne (GOMIDE, 1989).

Todavia, a adubação das pastagens traz vantagens adicionais que melhoram a eficiência do sistema como um todo, como: evita a degradação das pastagens; permite sobras de forragem que poderão ser vedadas nas águas e ou conservadas na forma de feno ou silagem para uso na seca; aumenta a disponibilidade de forragem no início das secas e de forma rápida no início das águas; com a maior reciclagem dos nutrientes em sistemas intensivos a adubação poderá ser diminuída com o decorrer do tempo, sem afetar a produção; e, com a adubação, as áreas de pastagem poderão ser reduzidas drasticamente, liberando áreas para produção de alimentos para o período das secas (cana, silagem, feno, culturas anuais e de inverno, etc.).

Embora em sistema intensivo de uso das pastagens se consiga maior produção no período das secas, em decorrência principalmente do efeito residual das adubações, a estacionalidade de produção da forragem, em razão de fatores climáticos, vai continuar ocorrendo, com valores na faixa de 10 a 20% da produção total anual, a menos que seja corrigida, em parte, com o uso de irrigação. Desta forma, o número de animais a serem mantidos na seca, fora das áreas de pastagens intensificadas, aumenta à medida que aumenta a produtividade das pastagens nas águas.

O custo de alimentação desses animais durante a seca é um dos principais fatores a serem considerados na viabilização da intensificação da produção por unidade de área (BOIN & TEDESCHI, 1997). Assim, a exploração intensiva das pastagens nas águas deve estar sempre associada a sistema de alimentação na seca. O confinamento pode ser uma estratégia interessante, para manter a intensificação da produção, pela possibilidade de venda de animais na entressafra, combinando maior preço, maior giro de capital e maior produtividade, com diminuição da lotação das pastagens. Outras alternativas são pastagens estrategicamente vedadas nas águas, para uso na seca, com e sem suplementação, e fornecimento de volumosos, como cana, silagem, feno, e culturas anuais e ou de inverno.

A lotação também poderá ser reduzida com a venda de animais de descarte no final das águas ou, principalmente, daqueles apresentando peso de abate. A venda desses animais no período de safra (preço por arroba mais baixo) é compensada pelo seu menor custo. Também pode ser feito ajuste, no caso da fase de cria, programando-se a parição para outubro (CORSI & SANTOS, 1995), combinando o período de maior exigência dos animais com a época de maior produção de forragem.

Tipos de Pastagens

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOIN, C. Produção animal em pastos adubados. ln: MATTOS, H.B.; WERNER, J.C.; YAMADA, 1.; MALAVOLTA, E. ed.. Calagem e Adubação de Pastagens. Piracicaba: ASPFP, 1986. p. 383-419.

BOIN, C., TEDESCHI, L.O. Sistemas Intensivos de Produção de Carne Bovina: lI. Crescimento e Acabamento. ln: PEIXOTO, A.M.; MOURA, J.C. de, FARIA, V.P. de ed. Produção do novilho de corte. Piracicaba, SP.: FEALQ, 1997, p.205-227.

CORSI, M., NUSSIO, L.G. Manejo do capim elefante: correção e adubação do solo. ln: PEIXOTO, A.M.; MOURA, J.C. de, FARIA, V.P. de ed. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGENS, 10., 1993, Piracicaba, SP. Anais.... Piracicaba: FEALQ, 1993. p.87-116.

CORSI, M. Pastagens de alta produtividade. In: PEIXOTO, A.M.; MOURA, J.C. de, FARIA, V.P. de ed. Manejo de Pastagens. Piracicaba, SP.: FEALQ, 1986, p.499-512.

CORSI, M., SANTOS, P.M. Potencial de Produção do Panicum maximum. ln: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGENS, 12., 1995, Piracicaba, SP. Anais... Piracicaba: FEALQ, 1995. p.275-303.

GOMIDE, J.A. Aspectos biológicos e econômicos da adubação das pastagens. ln: SIMPÓSIO SOBRE ECOSSISTEMA DE PASTAGENS, 24., 1989, Jaboticabal. Anais... Jaboticabal: FCAJ, UNESP, 1989, p.237-270.

LOPES, A.S. Solos "Sob Cerrados": Características, propriedades e manejo. Associação Brasileira para Pesquisa do Potássio e do Fosfato. Piracicaba, SP.: FEALQ, 1983. 162p.

RODRIGUES, L.R. de A. Espécies Forrageiras para Pastagens: gramíneas. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGENS, 8., 1986, Piracicaba, SP. Anais... Piracicaba: FEALQ, 1986. p.375-387.

SILVA, S.C. da. Condições edafo-climáticas para a produção de Panicum sp. In: SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGENS, 12., 1995, Piracicaba, SP. Anais... Piracicaba: FEALQ, 1995. p.129-146.

VITTI, G.C., LUZ, P.H. de C. Calagem e uso do gesso agrícola em pastagem. ln: SIMPÓSIO SOBRE ECOSSISTEMA DE PASTAGENS, 10., 1997, Anais... Jaboticabal: FCAJ-UNESP, 1997, p.63-111.

13. Custos de Confinamento "Click"

Custos baseados em experiências anteriores

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