Ecologia


MATAS CILIARES SEGURAM A ÁGUA
O planeta Terra é recoberto por dois terços de água e um terço de terra. Entretanto, 97,2% da água disponível  é salgada e apenas 2,8%  doce. Desse percentual, 2,15% estão nas galerias polares e somente 0,65% vem das nascentes. Os árabes, que enfrentam há séculos a deficiência de água, sabem melhor do que ninguém de sua importância. E muitas guerras já foram travadas pelo domínio de reservas hídricas. Tida como um bem renovável, a água necessita de condições favoráveis do meio ambiente para que ocorra a renovação. A intervenção do homem na natureza, entretanto, propicia poucas condições de manutenção da quantidade e da qualidade de água disponível. Ao contrário, tem causado a crescente degradação desses recursos, uma situação especialmente preocupante no Distrito Federal. A preservação e recuperação do que já foi degradado passa a exigir esforços e investimentos consideráveis. Essas iniciativas começam onde a água nasce e por onde passa. Nesse aspecto, as matas ciliares (vegetação florestal às margens de córregos e rios)   são prioritárias para a manutenção da qualidade e da quantidade de água. No Brasil cerca de 90% dos resíduos industriais e   70% dos esgotos domésticos são lançados nas redes de drenagem sem nenhum tratamento. O Distrito Federal, localizado numa região alta (1.000 metros de altitude), tem como um de seus desafios  a estação seca que se estende pela metade  do ano. Além disso, não possui grande abundância de fontes de água. Precisa-se estocar dois mil litros de água ao ano por habitante, mas no DF, estoca-se apenas 1.700. Como a população aumenta a cada dia, a situação tende a se tornar crítica. Os cerrados ocupam uma área de mais de 200 milhões de hectares do território brasileiro. Metade dela situa-se entre 300 e 600m acima do nível do mar e apenas 5,5% atingem altitude acima de 900m. Em pelo menos dois terços da região o inverno é marcado por um ciclo de seca de até seis meses. A presença humana na região data de cerca de 12 mil anos, mas só nos últimos 40 anos começou a ser povoada mais densamente. O biólogo José Felipe Ribeiro, pesquisador da Embrapa Cerrados na área de conservação e manejo de recursos naturais, vem trabalhando com o bioma cerrado há 25 anos. Em conjunto com pesquisadores da UnB, da Universidade Federal de Uberlândia/MG e parcerias com o Ministério do Meio Ambiente,  Banco Mundial, CNPq, Emater/DF e secretarias municipais de Formosa/GO, foram  elaboradas pesquisas interinstitucionais e multidisciplinares sobre cerrados e recuperação de suas matas ciliares. As orientações resultantes desse trabalho chegam ao público em setembro, quando serão lançadas três publicações da Embrapa, desenvolvidas em conjunto com outras instituições.  Recuperação de Matas de Galeria é um  manual para interessados na regeneração de matas ciliares no Brasil Central;  Maria e a Galera Salvam a Mata de galeria - uma fábula sobre a conservação da biodiversidade e da água; e Cerrado - caracterização e recuperação de matas de galeria -  contendo aspectos técnicos e científicos de recuperação dessa vegetação.O manual busca auxiliar na elaboração e execução de projetos de revegetação com espécies nativas, fornecendo elementos para a escolha das espécies e das técnicas mais adequadas de plantio. A vegetação dos cerrados, é formada por 25% de florestas, 25% de campos e 50% de savanas. Devido à altitude variada de cada região, flora e fauna tornam-se distintas de um local para outro. Por isso, depois de fazer um levantamento sobre as peculiaridades da área, os pesquisadores desenvolveram um manual prático para a recomposição das matas ciliares, utilizando espécies nativas do local a ser reabilitado, respeitando suas condições de umidade, fertilidade do solo e luminosidade. As sugestões propostas procuram reestruturar o ambiente para que ele retorne, o mais rápido possível, às condições originais. Segundo o biólogo Luiz Felipe Ribeiro, o trabalho oferece condições para que qualquer técnico da área ou pessoa de bom senso elabore e execute um projeto de recuperação de mata de galeria. Além das técnicas, o manual traz  uma lista de quase cem espécies vegetais com suas características em relação à luz, o  porte, à fertilidade e drenagem do solo, seus usos mais comuns, além da época de maturação dos frutos para coleta de sementes. Conforme as orientações dos pesquisadores,  os plantios devem ser feitos em curva de nível, procurando respeitar a ocorrência original das espécies na mata, em relação ao regime hídrico dos rios e suas margens.  São fornecidas também, informações cobre coleta de sementes, produção de mudas em viveiro e modelos de plantio definitivo no campo, com a distribuição de espécies e recomendações para manutenção. Durante esse trabalho de pesquisa foram produzidas 340 mil mudas de espécies nativas e replantados 55 hectares de matas ciliares degradadas. (Jornal de BrasÍlia/BR)

O CÓDIGO FLORESTAL E O PRODUTOR RURAL
O Projeto de Lei de atualização do Código Florestal vem sendo discutido por políticos e representantes da sociedade civil. A iniciativa é da Comissão Mista do Congresso Nacional que estuda o referido projeto de lei, cujo relator é o deputado federal Moacir Micheletto, vice-presidente da FAEP. A reunião é de grande importância para os produtores rurais paranaenses, uma vez que trata de questões como da reserva legal, área destinada a florestamento nas propriedades rurais. Atualmente, além das áreas de preservação permanente - matas ciliares e em encostas de morro - os produtores rurais são obrigados a reservar 20% da propriedade com mata nativa. Os produtores rurais querem modificar esta situação e retornar ao que estabelecia a Medida Provisória 1.956-49, que vigorou por um ano, até maio de 2000, permitindo que os 20% de área de Reserva Legal pudessem ser compensados com uma área de preservação permanente, ampliando, desta forma, a área destinada a lavoura. Considerações ao Projeto de Lei de Atualização do Código Florestal. Uso das Áreas de Preservação Permanente para os limites de Reserva Florestal Legal. A estrutura fundiária do Paraná, de acordo com o Censo Agropecuário do IBGE (1995-1996), alicerçada em pequenas e médias propriedades, contribuiu muito para o desmatamento do estado principalmente porque foram repartidas ao longo do tempo, em conseqüência da sucessão patrimonial. Hoje, cerca de 86% das quase 370 mil propriedades têm menos de 50 hectares, sendo que a moda situa-se no intervalo de 10 a 20 hectares, ou seja, 23% do total e a média de tamanho das propriedades é de 32, 4 hectares. A Lei Nº 4771/65 Å Código Florestal Å exige que os proprietários mantenham as matas ciliares às margens dos rios, riachos e olhos d'água e nas encostas com declive superior a 45º Å chamadas de Áreas de Preservação Permanente (APP). Exigia, também, até as edições da Medida Provisória que, além das APP, o proprietário mantivesse florestada mais 20% da área, denominada de Reserva Florestal Legal (RFL). Nas pequenas propriedades a obediência dos dois dispositivos, tal como prevê o Código Florestal, é mortal, uma vez que reduz drasticamente a área destinada à produção. Manter ou restaurar as Áreas de Preservação Permanente é indiscutível, pelas implicações que tem no meio ambiente, principalmente em relação aos recursos hídricos Å que beneficiam toda a coletividade Å e às condições de fertilidade e defesa do solo da propriedade. Já a Reserva Florestal Legal elimina 20% da área útil destinada à produção. Imagine-se uma propriedade com 15 hectares Å que é a média da moda na estrutura fundiária do Paraná. Habitualmente as propriedades têm sentido espigão-vale, significando que a testada é menor do que o seu comprimento. No nosso exemplo, a propriedade tem 250 metros de frente, por 600 metros de fundo, correspondente a 150 mil metros quadrados. Supondo que esta propriedade possui um riacho, que nasce no espigão, e atravessa todo o seu sentido longitudinal, que corresponde a 600 metros:- por obrigação legal, o proprietário tem que manter a mata ciliar de no mínimo 30 metros em cada margem, correspondendo a 36 mil metros quadrados. O fundo de vale sempre tem um rio. Novamente terá que ser mantida a mata ciliar de no mínimo 30 metros, o que corresponde a largura do terreno de 250 x 30m = 7.500 metros quadrados. A residência do produtor e outras benfeitorias da fazenda ocupam uma área de 1.000 metros quadrados. Os caminhos de acessos à lavoura e às benfeitorias não podem ter menos de 850 metros, com uma largura mínima de 3 metros para dar passagem a veículos (carroças), o que corresponde a 2.550 metros quadrados. Além disso, o produtor é obrigado a manter uma Reserva Florestal Legal igual a 20% de toda a área, que no exemplo que estamos apresentando corresponde a 30.000 metros quadrados. Abstraindo-se o fato de que a propriedade possa ter outros riachos ou olhos d'água, ou até rios, que aumentam a exigência da largura da Mata Ciliar, e até áreas impróprias para o cultivo, na melhor das hipóteses a propriedade teria a seguinte situação: Área Total 150.000 m215ha100%Área de Mata Ciliar43.500 m24,3 ha29%Residências e Benfeitorias1.000 m20,1 ha0,67%Caminhos de Acesso2.550 m20,255 ha1,7%Subtotal Não Aproveitável47.050 m24,705 ha31,37%Subtotal Aproveitável102.950 m210,295 ha68,63%Área de Reserva Legal30.000 m23 ha20%Total Aproveitável72.950 m27,295 ha48,63%COMO SE PODE verificar, numa área padrão para a estrutura fundiária do Paraná, se toda a legislação ambiental prevista na MP editada atualmente fosse cumprida, o produtor teria apenas 48,63% da sua propriedade para produzir. É impossível trabalhar sob as condições descritas, razão pela qual os produtores rurais avançaram sobre a Reserva Florestal Legal e muitas vezes também sobre a Área de Preservação Permanente. Não se trata portanto, de um desrespeito à Lei, mas uma questão de sobrevivência, o que mereceu um tratamento justo através das Medidas Provisórias editadas até a de nº 1956-49. Elas permitiam, através do § 4º do Art. 16, compensar a área de Reserva Florestal Legal com a Área de Preservação Permanente, desde que a soma entre as duas áreas atingisse os 20% da propriedade exigidos pela Lei. Isto significa um grande avanço para a solução do problema. Sem precisar recompor sua área de Reserva Florestal Legal, devido a sua propriedade ter 29% de Área de Preservação Permanente, o produtor terá mais área para a sua produção e cumprimento da função social de sua propriedade. E se ele tiver parte dos 20% com Área de Preservação Permanente, precisará apenas completar o que falta. Precisando recompor apenas 10% da sua Reserva Florestal Legal, pois os outros 10% são compensados pela Área de Preservação Permanente, o produtor rural terá ainda uma área maior para a sua produção. (Paraná-online)
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Fauna silvestre em cidades é problema para zoológicos

A questão dos animais abandonados em centros urbanos acabam atrapalhando trabalho dos zoológicos e trazendo desequilíbrio para o meio ambiente São Paulo, foi o principal tema discutido no IX Congresso Paulista de Zoológicos, que está sendo realizado, de 18 a 22 de agosto, na Fundação Parque Zoológico de São Paulo
São Paulo - Animais abandonados em centros urbanos acabam atrapalhando trabalho dos zoológicos e trazendo desequilíbrio para o meio ambiente São Paulo – O que fazer com o grande número de animais silvestres encontrados nas regiões urbanas, que são abandonados ou encaminhados aos zoológicos, foi um dos principais temas discutido no IX Congresso Paulista de Zoológicos, que está sendo realizado, de 18 a 22 de agosto, na Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Segundo João Tancredi, diretor do Zoológico de Americana, não há infra-estrutura para receber o número de animais que chegam às instituições. Além disso, faltam áreas para reintroduzir esses animais na natureza. "Alguns municípios, como São Paulo, até contam com alguns locais para fazer a reintrodução, mas em Americana isso não existe. Mesmo que tenhamos áreas com matas, não contamos com levantamento de fauna e muitas das espécies são exóticas. Não se pode soltar qualquer animal em qualquer área, pois corremos o risco de termos um desequilíbrio ecológico", diz Tancredi. Grande parte dos animais que chegam aos 48 zoológicos paulistas são papagaios e araras, pássaros em geral e, nos últimos tempos, iguanas e tartarugas canadenses. Esses animais são normalmente abandonados por pessoas que os compraram ou trouxeram de outros locais e, por vários motivos, resolvem se desfazer deles. "Como o comércio da fauna silvestre brasileira é proibido e a importação de animais também está suspensa, todos esses animais são adquiridos pelo tráfego", diz José Eduardo Peixoto, presidente da Sociedade Paulista de Zoológico (SPZ), organizadora do Congresso. Soltos em ambientes que não são o seu de origem, os animais exóticos normalmente competem por alimentos com os animais nativos (ou dos zoológicos) e, às vezes, podem se transformar em verdadeiras pragas, por estarem livres de seus predadores naturais. Entre os exemplos estão a tartaruga canadense, que compete com a espécie brasileira tigre d´água e o papagaio verdadeiro, natural do Mato Grosso e região Nordeste, que hoje vive em bandos em São Paulo. "As pessoas não fazem idéia do perigo que é soltar espécies exóticas em um ambiente. Não sabemos que tipo de doença ou de competição ela estará trazendo. Para os zoológicos, além da falta de recursos e de atrapalhar o andamento dos trabalhos, não temos para onde encaminha esses animais, já que não existem centros de triagem suficientes no país", diz o biólogo Afonso Constantino Coralov, do Criadouro Conservacionista Ave Fauna. Segundo o presidente da SPZ, hoje muitos zoológicos enfrentam ainda o problema dos leões abandonados por circos no interior. "Além do custo de alimentar um animal desse porte, temos problemas de instalações, pois precisamos local seguro para o animal e para os funcionários que irão lidar com eles", explica. Para o coordenador de Fauna e Flora Silvestre do Ibama, Fernando Dal´Ava, o maior culpado pelo tráfego de animais é quem compra. "Falta também compromisso de quem adquire um animal de forma legal (e até ilegal) em cuidar dele", acredita. Dal´Ava considera que também os animais domésticos precisam de um controle mais efetivo para evitar que virem pragas. "As prefeituras precisam ter controle sobre cachorros, gatos, pombos e até outros bichos, como ratos e escorpiões, que podem aparecer a partir de desequilíbrios causados por novos loteamentos, por exemplo. Além disso, pessoas irresponsáveis abandonam animais domésticos e o problema acaba sobrando para os centros de zoonoses e sociedades protetoras dos animais", diz.

Maura Campanili

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Micos-Leões-Dorados

CLARISSA THOMÉ

SILVA JARDIM - Os últimos micos-leões-dourados livres na natureza, além de ter de sobreviver aos caçadores e incêndios criminosos, enfrentam mais uma ameaça: a consangüinidade. Isolados em áreas de reservas florestais distantes entre si ou em verdadeiras "ilhas" de mata, cercadas por queimadas, os micos são obrigados a procriar entre parentes. A Associação Mico-Leão-Dourado mapeou geneticamente 650 micos que vivem na Reserva Biológica Nacional de Poço das Antas, em Silva Jardim, no interior fluminense, e em fazendas próximas e descobriu que eles estão no grau máximo de parentesco. Se continuarem cruzando entre si, os animais poderão nascer estéreis ou defeituosos - já há casos de micos com seis dedos.

Micos-leões-dourados vivem em famílias de seis animais, em média, e apenas um casal reproduz. Por volta dos 3 anos, os machos adultos deixam o grupo para formar a própria família. O problema é que eles estão isolados demais.  Cinqüenta quilômetros separam os 220 micos que vivem na Reserva de Poço das Antas daqueles na Fazenda Rio Vermelho, por exemplo. Com outras 10 propriedades particulares, a fazenda abriga 320 animais da espécie.  É nessas fazendas que são reintroduzidos micos nascidos em cativeiro - geralmente doados por zoológicos estrangeiros. Esses animais têm características diferentes e são fundamentais para renovação do código genético dos micos que vivem na reserva. Mas eles não conseguem transpor a longa distância. A Associação Mico-Leão-Dourado, que desde 1984 desenvolve pesquisas na região com financiamento internacional, propôs à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) a criação de um "corredor florestal" para que os micos fizessem naturalmente o caminho até a reserva biológica. O projeto foi rejeitado, segundo conta a diretora da associação, Denise Rambaldi, porque os técnicos da Embrapa entenderam que o corredor "não seria um sistema produtivo".

 

Sem saída - Mesmo os micos de Poço das Antas sofrem com o isolamento. Muitos estão presos em pequenos morros, onde buscaram refúgio dos últimos incêndios. Em torno deles, há apenas mata queimada, e os micos não têm como atravessá-la. Uma solução para diversificar a linhagem genética seria transferir micos de determinadas regiões para outras. Mas esse intercâmbio só poderia ocorrer no futuro, quando os micos criados em fazendas estiverem adaptados ao meio ambiente.

A área mais atingida pelo fogo (onde ficam as "ilhas") é coberta por solo de turfa - formado por matéria orgânica altamente inflamável. Antigamente, o trecho era inundado pela junção dos rios São João e Aldeia Velha. A barragem do São João e o desvio do Aldeia Velha deu lugar ao solo de turfa, que já devia estar coberto pela mata, não fossem os incêndios constantes.

Resultado: micos-leões-dourados, roedores, pequenos mamíferos e marsupiais estão ilhados nesses pequenos morros. Só em junho, três grandes incêndios consumiram 570 dos 6.123 hectares de Poço das Antas - cerca de 1% de reserva, cujo território é formado por 40% de pasto.

Fiscalização - Apenas cinco guardas florestais tomam conta da reserva. As duas torres de observação ficam abandonadas. Para se ter uma idéia do descontrole, técnicos da Associação Mico-Leão-Dourado e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que trabalham na reserva, só souberam do incêndio que destruiu 400 hectares de Poço das Antas porque receberam um telefonema de Brasília: um satélite havia captado o fogo que os funcionários da reserva ignoravam.

 

Campinas - O Programa Natureza e Sociedade, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), atribuiu prêmios às 7 melhores teses de mestrado e doutorado desenvolvidas no Brasil no último ano, nas áreas de conservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Os prêmios serão entregues durante a 52a Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, que tem início no próximo domingo, 9 de julho. Esta é a segunda edição de prêmios desta natureza. A primeira foi realizada há 2 anos, com os mesmos parceiros: a Fundação Ford, a agência norte americana para o desenvolvimento internacional (USAID) e a Universidade Estadual de Nova Iorque (SUNY).

O estudo do impacto da hidrelétrica Samuel sobre a pesca, no rio Jamari, de João Paulo Viana; a correlação entre aves frugívoras e a produção/exploração de frutos na Mata Atlântica brasileira, de Mauro Galetti, e a dimensão geopolítica da biodiversidade, de Sarita Albagli foram as teses de doutorado premiadas. A influência da rodovia BR-262 sobre a mortalidade de vertebrados selvagens no Mato Grosso do Sul, de Wagner Augusto Fischer; a parceria de organizações não-governamentais na conservação de parques e reservas, de Lígia Moreira da Rocha e a influência da caça na biodiversidade em fragmentos da Mata Atlântica paulista, de Laury Cullen Jr. foram as teses de mestrado escolhidas pelo júri, composto apenas de doutores, de entidades ambientalistas e universidades e um representante do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Recebeu ainda menção honrosa a tese de Ione Egler, sobre a implementação da convenção da biodiversidade no Brasil.

O Programa Natureza e Sociedade do WWF normalmente concede bolsas e auxílios para a pesquisa científica (viagens de campo, aquisição de equipamentos e material de consumo), cursos de mestrado ou programa sanduíche, outros cursos e treinamentos, além de promover a troca de experiências. Atualmente tem mais de 100 trabalhos em andamento.

Liana John

Redator.

Não é só com a floresta Amazonica que devemos nos preocupar. A poluição que vem sendo causada pelos paises do 1 mundo tem chegado a niveis alarmante. O lixo já não encontra mais lugar. Por todos os cantos do planeta já se pode ver o ser humano convivendo ao seu lado. Já passou da a hora de se cobrar das indústrias a responsabilidade por estes entulhos.

Fauna silvestre em cidades é problema para zoológicos

A questão dos animais abandonados em centros urbanos acabam atrapalhando trabalho dos zoológicos e trazendo desequilíbrio para o meio ambiente São Paulo, foi o principal tema discutido no IX Congresso Paulista de Zoológicos, que está sendo realizado, de 18 a 22 de agosto, na Fundação Parque Zoológico de São Paulo

São Paulo - Animais abandonados em centros urbanos acabam atrapalhando trabalho dos zoológicos e trazendo desequilíbrio para o meio ambiente São Paulo – O que fazer com o grande número de animais silvestres encontrados nas regiões urbanas, que são abandonados ou encaminhados aos zoológicos, foi um dos principais temas discutido no IX Congresso Paulista de Zoológicos, que está sendo realizado, de 18 a 22 de agosto, na Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Segundo João Tancredi, diretor do Zoológico de Americana, não há infra-estrutura para receber o número de animais que chegam às instituições. Além disso, faltam áreas para reintroduzir esses animais na natureza.

"Alguns municípios, como São Paulo, até contam com alguns locais para fazer a reintrodução, mas em Americana isso não existe. Mesmo que tenhamos áreas com matas, não contamos com levantamento de fauna e muitas das espécies são exóticas. Não se pode soltar qualquer animal em qualquer área, pois corremos o risco de termos um desequilíbrio ecológico", diz Tancredi.

Grande parte dos animais que chegam aos 48 zoológicos paulistas são papagaios e araras, pássaros em geral e, nos últimos tempos, iguanas e tartarugas canadenses. Esses animais são normalmente abandonados por pessoas que os compraram ou trouxeram de outros locais e, por vários motivos, resolvem se desfazer deles. "Como o comércio da fauna silvestre brasileira é proibido e a importação de animais também está suspensa, todos esses animais são adquiridos pelo tráfego", diz José Eduardo Peixoto, presidente da Sociedade Paulista de Zoológico (SPZ), organizadora do Congresso.

Soltos em ambientes que não são o seu de origem, os animais exóticos normalmente competem por alimentos com os animais nativos (ou dos zoológicos) e, às vezes, podem se transformar em verdadeiras pragas, por estarem livres de seus predadores naturais.

Entre os exemplos estão a tartaruga canadense, que compete com a espécie brasileira tigre d´água e o papagaio verdadeiro, natural do Mato Grosso e região Nordeste, que hoje vive em bandos em São Paulo. "As pessoas não fazem idéia do perigo que é soltar espécies exóticas em um ambiente. Não sabemos que tipo de doença ou de competição ela estará trazendo. Para os zoológicos, além da falta de recursos e de atrapalhar o andamento dos trabalhos, não temos para onde encaminha esses animais, já que não existem centros de triagem suficientes no país", diz o biólogo Afonso Constantino Coralov, do Criadouro Conservacionista Ave Fauna.

Segundo o presidente da SPZ, hoje muitos zoológicos enfrentam ainda o problema dos leões abandonados por circos no interior. "Além do custo de alimentar um animal desse porte, temos problemas de instalações, pois precisamos local seguro para o animal e para os funcionários que irão lidar com eles", explica.

Para o coordenador de Fauna e Flora Silvestre do Ibama, Fernando Dal´Ava, o maior culpado pelo tráfego de animais é quem compra. "Falta também compromisso de quem adquire um animal de forma legal (e até ilegal) em cuidar dele", acredita. Dal´Ava considera que também os animais domésticos precisam de um controle mais efetivo para evitar que virem pragas. "As prefeituras precisam ter controle sobre cachorros, gatos, pombos e até outros bichos, como ratos e escorpiões, que podem aparecer a partir de desequilíbrios causados por novos loteamentos, por exemplo. Além disso, pessoas irresponsáveis abandonam animais domésticos e o problema acaba sobrando para os centros de zoonoses e sociedades protetoras dos animais", diz.

Maura Campanili

 

Salve a floresta Amazonica


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