Em vários cursos e em palestras sobre administração rural, uma das perguntas
freqüentes é 'o que são custos administrativos e/ou despesas gerais e como atribuí-los
às culturas ou criações?'.
Os custos
administrativos são aqueles custos ou despesas necessárias ao bom funcionamento da
fazenda, seja a oficina mecânica, o silo, equipamentos de armazenagem de produto
agrícola e o administrador, seja o escritório que fica na cidade.
Especificamente, são
despesas incorridas com energia elétrica, juros, telefone, impostos, pró-labore dos
sócios, assistência técnica, manutenção e reparo de benfeitorias e instalações:
galpão de máquinas, oficina, escritório, silo e equipamentos, estradas dentro da
propriedade e açudes usados no processo de produção.
Essas despesas, também
chamadas de despesas indiretas, de infra-estrutura e de apoio, são de modo geral pouco
controladas e difíceis de serem atribuídas a uma ou outra cultura porque cada despesa
desta natureza vai estar servindo a várias culturas ou atividades desenvolvidas dentro da
propriedade.
Na era da
competitividade, em que a pressão para redução de custos é grande, torna-se
necessário não só determinar, como também avaliar, quantificar e interpretar estes
custos e compará-los na hipótese de serem comprados, alugados e terceirizados, parcial
ou totalmente, serviços como a contabilidade própria, a assistência técnica e a
oficina mecânica.
No presente artigo,
procura-se discutir alguns dos principais critérios de rateio dos custos administrativos
de uma propriedade, para que não se penalize algumas culturas e aumente falsamente a
lucratividade de outras.
Há vários critérios
de rateio (divisão proporcional) utilizados. Entretanto, selecionaram-se apenas alguns
deles: 1) rateio baseado na renda bruta das cultura;
2) rateio baseado na área cultivada;
3) rateio com base no custo variável das culturas; e
4) rateio proporcional ao número de dias-homem.
Quando a combinação de culturas na propriedade tem sistemas de produção semelhante, os
dois primeiros critérios podem ser aplicados com sucesso.
Numa fazenda em que a
combinação de culturas envolver café, soja e milho, a aplicação dos dois primeiros
critérios não é recomendável. A renda do café, por unidade de área, é geralmente
mais alta do que as da soja e do milho. Por essa razão, o rateio e consequentemente a
apuração dos resultados sobrecarregam o custo do café e aliviam os custos da soja e do
milho, mascarando a lucratividade destas culturas. O fato inverso ocorre no caso de uso do
critério da área cultivada.
Quando ocorre uma
combinação de culturas contrastantes do ponto de vista da renda ou de área intensiva
numa cultura e extensiva em outras ou da exigência dos fatores de produção muito
díspares, a prática tem demonstrado que o critério mais adequado é o do rateio pelo
montante de custo variável das culturas ou pelo número de dias-homens utilizados.
A apropriação correta
destas despesas deve ser feita pelo menos a partir da contabilidade simplificada,
registrando-se as despesas e separando-as em categorias diferentes e, em seguida, entre as
culturas e na administração. Esta repartição de despesas ou custos nas atividades é
chamada de rateio entre as culturas ou no centro de custos envolvendo a cultura.
Se uma oficina faz
reparo de máquinas e implementos utilizados para soja, café e milho, parece natural que
o rateio deva ser feito por um critério que envolva as três culturas. Mas se uma
máquina é específica para uma cultura, como por exemplo a colhedora de café, a despesa
de manutenção e reparo desta máquina só pode ser atribuída à cultura do café em
100%.
A falta de controle
dessas despesas tem sido ponto vulnerável na busca da melhor rentabilidade e do sucesso
econômico-financeiro das propriedades. Essas despesas devem ser consideradas necessárias
e importantes, uma vez que o serviço, materiais ou fator adquirido servem a muitas
culturas dentro da propriedade.
Segundo dados de
propriedades agrícolas que fazem contabilização, levando em conta a exploração como
um todo, as despesas indiretas podem onerar o custo operacional total numa variação de
30 a 60%. |