Agropecuária Ecológica

 
 

FAZENDEIROS DOS EUA SÓ REDUZEM PLANTIO EM 4%

A maioria dos fazendeiros dos Estados Unidos parece não estar preocupada com a polêmica em torno dos alimentos geneticamente modificados e planeja para 2001 uma redução mínima no plantio dessas culturas. A informação é de uma pesquisa da agência "Reuters", que ouviu 400 produtores. Os fazendeiros afirmaram que pretendem reduzir em 4% os cultivos de soja, milho e algodão transgênicos -com a soja Roundup Ready e o milho Bt à frente dos cortes. Entre os pesquisados, 81% afirmaram não ter feito nem planejado investimentos para segregar as lavouras transgênicas das convencionais, apesar das pressões de Europa e Japão contra a comida geneticamente alterada. Há aumento planejado no plantio de milho e algodão Roundup Ready e de algodão Bt. (Folha de São Paulo )
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A AMAZÔNIA   PRODUTIVA

Os especialistas em Ciências de Solos entendem que a determinação de áreas para a preservação, florestamento, pecuária e atividades agrícolas, fundamentadas em bases técnico-científicas, constitui-se em atividades de alta relevância e prioridade. Entretanto, para compreender os fenômenos existentes e os mecanicismos que condicionam o dinamismo desses ecossistemas, quanto ao uso e preservação, é necessário disciplinar as pesquisas e conhecimentos básicos essenciais. Diante dessas realidades, durante algum tempo a falta de maiores conhecimentos tecnológicos e de assistência técnica vem nos preocupando quando se trata de uso e manejo de solos da Amazônia, principalmente quando são veiculadas em jornais de alta circulação afirmações sobre nossos solos altamente infundadas sob o ponto de vista técnico e de utilização racional.
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As cores da vida
O maior desafio que nos espera na virada do milênio está sem dúvida relacionado com a questão ambiental. A capacidade humana de encontrar soluções para os problemas causados por anos de degradação inconsciente definirá a viabilidade de recursos naturais para todos os seres vivos da Terra. Preservar. Este deve ser o verbo mais utilizado por todos os setores econômicos e pela sociedade em geral para garantir a sobrevivência terrena.
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Arrozais `ecológicos' aumentam produtividade


Em um resultado surpreendente, agricultores chineses que cultivam arroz dobraram a produção e praticamente eliminaram a doença mais devastadora sem usar química ou gastar um centavo a mais. Liderados por uma equipe internacional de cientistas, camponeses da província de Yunnan implantaram uma mudança simples em seus arrozais. Em vez de plantarem um único tipo de arroz, como sempre fizeram, eles plantaram fileiras intercaladas com dois tipos diferentes de arroz. Com isso, os agricultores restringiram radicalmente a incidência da brusone, doença causada por fungo. Em dois anos, os agricultores puderam abandonar os fungicidas químicos. "Não me surpreendi que o sistema funcionasse, mas sim que funcionasse tão bem", disse Christopher Mundt, biólogo da Oregon State University e um dos autores do estudo, publicado em agosto na revista Nature. Youyong Zhu, patologista da Universidade de Agricultura de Yunnan, orienta a maioria dos cientistas chineses envolvidos no estudo, que abrange dezenas de milhares de agricultores. Vários pesquisadores defendem há tempos que plantar tipos variados de um vegetal levaria a benefícios à produtividade maior e à supressão de doenças, se comparado às monoculturas. Separação - A hipótese por trás do estudo, o mais recente relacionado aos efeitos da biodiversidade, é simples. Se uma variedade de vegetal é suscetível a uma doença, quanto mais concentrada ela estiver, mais facilmente a doença pode espalhar-se. Mas essa disseminação fica mais difícil se as plantas suscetíveis forem separadas por outros tipos de plantas que resistem à moléstia e podem atuar como uma barreira. O fungo da brusone move-se de planta a planta como um esporo aéreo e seria bloqueado facilmente por uma fileira de vegetais resistentes à doença. O simples fato de que a brusone é a mais devastadora doença do arroz já tornaria o estudo importante. Mas, segundo cientistas entrevistados, não há razão para que a tática usada na China não funcione em outras culturas, embora não se saiba qual seria a eficiência nesses casos. Tem havido uma considerável pressão por parte das indústrias de agrotecnologia para vender sementes de vegetais geneticamente alterados e vegetais geneticamente homogêneos que tenham um desempenho realmente bom", disse Shahid Naeem, ecologista da Universidade de Washington. "Mas o que realmente importa nesse estudo é que ele mostra como perdemos de vista o fato de que existem algumas coisas simples que podemos fazer no campo para controlar as colheitas.
fonte bol

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Adubação

Salada nutritiva

Pesquisa no Paraná mostra que cultivo em consórcio de espécies distintas de adubos verdes concentra as qualidades dessas plantas e aumenta seus efeitos positivos sobre as lavouras

Muitos agricultores brasileiros já se deram conta da importância do cultivo de plantas que, mesmo sem produzir grãos ou frutos, acabam ajudando a melhorar os resultados das culturas comerciais. Chamadas de adubos verdes, muitas delas são conhecidas e utilizadas no país, com efeitos diferenciados sobre o solo. "Cada espécie de adubo verde tem uma característica específica", explica Ademir Calegari, pesquisador do Iapar - Instituto Agronômico do Paraná. Ele é o coordenador de uma pesquisa que vem comprovando que a soma das propriedades de espécies diferentes pode multiplicar os benefícios para o agricultor. Vários experimentos a campo demonstraram que o plantio de adubos verdes de forma concomitante e concentrada em uma mesma área aumenta consideravelmente os efeitos positivos sobre os cultivos seguintes, especialmente onde se utiliza o plantio direto.
A adubação verde foi utilizada, inicialmente, na chamada agricultura alternativa, mas os bons resultados e as pesquisas de variedades de adubos adaptados aos vários climas e a microrregiões do país a difundiram também para as grandes áreas agrícolas. Com o advento do plantio direto, principalmente as gramíneas começaram a ser cultivadas como cobertura de solo e formadoras de palhada no período de inverno, além de tornar-se uma boa opção de forragem para os animais em propriedades que integram lavouras com a pecuária. Com o tempo, no entanto, esse tipo de manejo ainda pode apresentar problemas. "Como qualquer espécie que se planta em sistema extensivo de monocultura, os adubos verdes também começaram a atrair pragas e doenças", explica Calegari. Além disso, as raízes mais superficiais das gramíneas, por exemplo, tendem a concentrar microorganismos e nutrientes nas camadas superficiais do solo, que, com o manejo de plantio direto, começa a sofrer compactação, principalmente quando a sua estrutura é mais argilosa.
O consorciamento tem como objetivo resolver esses problemas e otimizar as ações benéficas dos adubos verdes, levando em consideração as propriedades de cada espécie, explica Calegari. As leguminosas, como a ervilhaca, o guandu ou a mucuna, possibilitam o desenvolvimento de bactérias em suas raízes, que têm o poder de retirar o nitrogênio da atmosfera e fixá-lo no solo, tornando-o disponível para a próxima cultura. Além disso, mucuna, crotalária e guandu também são muito eficientes no combate aos nematóides. Já as gramíneas, como o milheto, o centeio ou a aveia preta, têm a capacidade de agregar as partículas de terra, evitando assim a erosão. O centeio e a aveia também são eficazes no controle de fungos, e o milheto é muito eficiente na fixação do potássio. Por fim, as raízes potentes e profundas de algumas espécies, como o nabo forrageiro, atuam de forma a descompactar e oxigenar o solo.
Uma das experiências de consorciamento do Iapar está sendo desenvolvida por uma equipe multidisciplinar (participam especialistas em pastagem, máquinas, solo etc.) com 13 agricultores do oeste do Estado, em parceria com a empresa Itaipu Binacional. Em Santa Helena, a cerca de 140 quilômetros de Foz do Iguaçu, no Paraná, Amadeus Bortolini está entusiasmado com os resultados. Produtor de soja, milho e trigo, ele usou o manejo tradicional - aragem e gradagem - até 1995, quando adotou o plantio direto. Mas, como utilizava apenas a palhada da cultura anterior, que fornecia um volume muito pequeno de massa seca, começou a sofrer com a degradação e a compactação da área e com a invasão de plantas daninhas.
Na área que reservou para os testes da nova técnica, Bortolini plantou uma "salada" de ervilhaca, nabo forrageiro e aveia preta. "Fizemos uma análise do solo dessa área para determinar suas necessidades, antes da escolha das variedades de adubo verde", explica Calegari. Segundo o pesquisador, a base da composição desse tipo de consórcio é uma leguminosa e uma gramínea, mas as espécies devem ser escolhidas de acordo com os problemas detectados no solo. Na área de Bortolini, o nabo, uma crucífera, age na descompactação e oxigenação do solo; a ervilhaca, na fixação de nitrogênio; e a aveia, como preventivo contra a erosão, basicamente. Mas o consórcio tem outras vantagens: com diferentes fontes de alimento à disposição, os insetos dificilmente se tornam pragas, e a proteção contra as ervas invasoras é reforçada. "Com o passar do tempo, a concorrência dos adubos verdes reduz a produção de sementes dessas invasoras", diz Calegari. O volume de matéria seca, ou palhada, produzida no consórcio também é bem maior, aumentando a proteção do solo, e a decomposição das várias espécies, que vai liberando os nutrientes para a próxima cultura, ocorre de forma irregular e gradual.
Para os agricultores que puderem abrir mão de uma cultura de inverno, como trigo ou milho safrinha, o plantio da "salada" de adubos verdes pode ser feito a lanço, no caso de grãos finos, ou com plantadeira, sobre a palhada da cultura anterior. Os produtores que têm criação podem tanto soltar os animais sobre a adubação verde, tendo-se o cuidado de deixar as plantas com no mínimo 7 centímetros, quanto preparar silagem. No início do verão, passa-se um rolo-faca e um dessecante leve para tombar e secar as plantas, e a área fica pronta para o plantio direto da nova cultura. "Para aqueles que dependem do milho safrinha, porém, há também a possibilidade de se plantarem adubos verdes, como aveia e nabo, no meio da roça, quando o milho passar dos 40 dias", recomenda Calegari.
Além dos vários benefícios para os agricultores, a técnica de adubação verde consorciada também traz benefícios ambientais. Essa avaliação foi feita pela superintendência de meio ambiente da Itaipu Binacional, que administra a hidrelétrica. "Com o manejo inadequado da agricultura na região, começamos a perceber que a erosão estava causando um grande assoreamento no lago", explica o técnico da empresa Milton Campos. Córregos e rios levam a terra dos campos de lavoura até o reservatório. O desafio de reduzir a erosão é a razão pela qual a Itaipu investe no projeto do Iapar, ajudando tanto na divulgação em dias de campo quanto na sua implementação. "Estamos apostando que a adoção da adubação verde consorciada será maciça na região, o que também reforçará a prática do plantio direto. Isso irá minimizar os problemas ambientais, além de diminuir os custos para os produtores", diz Campos.
globorural
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